Quando falamos de inovação em sabores, geralmente olhamos para o que está em alta: novas combinações, ingredientes ganhando popularidade ou perfis começando a aparecer em diferentes categorias. Mas existe outro território a ser explorado: aquele sobre o qual ainda sabemos pouco.
A biodiversidade alimentar é muito mais ampla do que os ingredientes que costumamos ver em supermercados, cardápios ou lançamentos de novos produtos. De fato, a FAO estima que cerca de 10.000 espécies silvestres são utilizadas como alimento em todo o mundo, e muitas delas permanecem sub-representadas nas estatísticas e estudos de consumo.
Não existe uma classificação oficial de “sabores raros”. De uma perspectiva técnica, conceitos como alimentos silvestres (wild foods) e espécies negligenciadas ou subutilizadas nos permitem compreender melhor esse universo: alimentos ligados a territórios específicos, tradições locais e uma diversidade que ainda tem pouca presença em produtos fabricados em massa.
De desconhecidos a protagonistas
A história mostra que alguns ingredientes que hoje consideramos sofisticados ou familiares já estiveram longe de terem alto consumo.
O açafrão, as trufas e a baunilha de Madagascar são bons exemplos de ingredientes que por muito tempo foram associados a mercados específicos, mas cujo reconhecimento e suas possibilidades de aplicações se expandiram desde então.
Um ingrediente pouco conhecido não é necessariamente uma tendência: pode se tornar uma oportunidade quando há algo por trás dele — um perfil sensorial distinto, uma história de origem, uma identidade cultural ou uma aplicação que encanta os consumidores.
É devido a isso que explorar esses ingredientes exige mais do que simplesmente encontrá-los na natureza: precisamos entender o que torna cada perfil único e como ele pode ser incorporado de forma significativa a um produto.
Uma biodiversidade que também pode ser saboreada
A América Latina oferece um território particularmente interessante para essa exploração.
A murta, calafate (Berberis microphylla), copao (ou ruma), camu-camu, o cupuaçu, lulo, tumbo, calamansi e feijoa são apenas alguns exemplos de frutas e ingredientes com identidades sensoriais muito diferentes e níveis variados de reconhecimento em toda a América Latina.
Esses “sabores incomuns” trazem acidez e frescor, notas frutadas, florais, tropicais ou outras notas únicas. Sua origem também é uma parte importante da proposta, especialmente quando há uma conexão clara entre o ingrediente, sua região e a história que ele pode contar.
Para que um perfil de sabor se torne uma proposta de valor, deve haver um equilíbrio entre diferenciação, apelo sensorial e possibilidade de aplicação. Portanto, buscar ingredientes pouco explorados não significa perseguir o exótico. Significa expandir o mapa de possibilidades.
Um ingrediente pode ser completamente desconhecido e ainda assim não ter uma oportunidade clara. Outro pode ter uma presença limitada, mas possuir as características necessárias para inspirar uma bebida, um lanche, um doce ou um produto lácteo diferente.
Na Cramer, explorar novos sabores também envolve entender a sua origem, suas características sensoriais e as oportunidades que eles podem abrir em diferentes categorias. Porque, muitas vezes, antes de se tornar uma tendência, um sabor simplesmente precisa que alguém o descubra!
Encontre-nos também em
